31/10/2013 :: Representantes da AMIS e da BHTrans debatem proposta de estacionamento para carga e descarga

Representantes de supermercados que atuam em Belo Horizonte se reuniram nesta terça-feira (29/10) na sede da Associação Mineira de Supermercados (AMIS) com o presidente da BHTrans, Ramon César, para conhecer e avaliar o projeto que a empresa responsável pela gestão do trânsito da capital mineira está elaborando com novas regras para carga e descarga. Entre as regras em estudo está a implantação do sistema de estacionamento rotativo para carga e descarga, com a cobrança de R$ 3,10 por talão e prazo de permanência de uma hora na maioria das vagas e de duas ou cinco horas em locais especiais.

Segundo o presidente da BHTrans, à semelhança do que já existe para carros (sistema Faixa Azul), a principal vantagem do sistema é, como diz o próprio nome, a rotatividade. “As 600 vagas de carga e descarga que existem hoje e que podem ser ocupadas o tempo todo por apenas um veículo, passariam a ser compartilhadas por muitos outros, multiplicando a possibilidade de uso do mesmo espaço”.

Ramon argumenta que pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta que em 80% dos casos o tempo necessário para descarga comercial de veículos de carga autorizados a circular no hipercentro da Capital é de uma hora. Em 20%, seriam de duas ou três horas. Os supermercados estariam no grupo dos 20%.

A ideia da BHTrans é implantar o novo sistema a partir de janeiro no hipercentro e, a partir daí em uma escala regional que cobriria todas as regiões da cidade até julho. O sistema de rotativo funcionaria nos dias úteis das 8 às 18h. Aos sábados de 8 às 12h ou livre em alguns locais. Aos domingos e demais horários seria sempre livre.

Mais custo

A proposta de adoção da rotatividade para vagas foi recebida com ressalvas pelos supermercadistas. Apesar de considerarem a possibilidade de ampliação das oportunidades de estacionamento para carga e descarga, argumentam que a cobrança de taxa passa a ser mais um custo a incluir na operação das lojas e que mais alternativas poderiam ser tentadas para ampliar o uso das vagas, sem a necessidade de criar novas taxas.

 “A ampliação da quantidade de vagas atuais e a fiscalização do uso das já existentes seria algo que poderia ser tentado antes de se pensar na solução mais confortável para a administração pública que é criar uma nova taxa de uso pelo espaço público”, argumentou durante a reunião o superintendente da AMIS, Adilson Rodrigues. “Não se pode pensar apenas na solução simplista de implantação do sistema de rotativo nas áreas de carga e descarga”.

De acordo com depoimentos de supermercadistas presentes à reunião, o principal problema que afeta o sistema de carga e descarga é a falta de fiscalização pelas autoridades, o que permite a ocupação de vagas de carga e descarga por carros que evitam o Faixa Azul e nem mesmo se preocupam em simular operações de carregamento ou descarregamento. Ao mesmo tempo, a ausência de fiscalização tem permitido que veículos de carga e descarga façam inadequado do espaço permanecendo por mais tempo que o necessário.

Na visão dos supermercadistas, o investimento por parte das autoridades em equipes de fiscalização seria mais producente que a simples imposição de um novo custo para toda a sociedade. Eles argumentam também que a invasão dos carros, que já ocorre por falta de fiscalização, tenderia a ser ainda maior com a adoção do rotativo para este tipo de vaga, uma vez que os veículos adotariam o uso do talão quando não conseguissem vagas no rotativo Faixa Azul ou considerassem mais adequada a localização da vaga de carga e descarga.

“Sem fiscalização, o sistema atual não é o ideal e tem problemas, mas o sistema proposto pela BHTrans ficará ainda pior, pois incluirá os carros no uso das vagas de carga e descarga, ou seja, diminuirá o número de oportunidades de uso e criará um novo custo para a sociedade. Sem fiscalização, usando o talonário, o proprietário do carro nem mesmo se preocupará em simular o uso para carga e descarga, e deixará o veículo ali, já que, se por acaso aparecer algum PM do trânsito ou guarda municipal, o veículo estará acobertado pelo talão”, argumentou o superintendente da AMIS.

O presidente da BHTrans propôs então que a AMIS formasse um grupo interno de estudo para apresentar oficialmente sugestões ao projeto da empresa. A sugestão foi aceita pelos supermercadistas e, logo após a reunião, decidiu-se pela formação do grupo, que já agendou reunião na sede da AMIS para o dia 6 de novembro (quarta-feira), às 16 horas. Fazem parte do grupo os seguintes representantes:

Carlos Melo – Verdemar;

Érica Fonseca – Sincovaga/BH;

Geraldo Paiva – Verdemar;

Gerson – Supermercados BH;

Grenner Merdrado – Mart Minas;

Marcelo Espósito - DMA Distribuidora;

Wellington - DMA Distribuidora;

Jessé Alves – Super Nosso.

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